Estava um menino em um campo,
Sentado entre folhas e flores,
Tinha em seus olhos um brilho especial,
Aquele brilho iluminado, dos que sonham com o Cosmo,
Sentia o seu irmão Vento docemente acariciar sua face,
Seu irmão Sol parecia brilhar mais para ele do que para qualquer outro,
Neste dia e este dia chega, as borboletas parecem voar por pura felicidade,
Os pássaros cantam em ode ao Todo e pode-se sentir a presença do Criador,
Neste dia as estrelas não brilham mais no espaço e sim no céu do coração.
Para que tesouros? Se não é possível levitar com eles nas costas?
Para que riquezas? Se elas nunca poderiam dar lhe a Luz da Verdade,
Aconchegou sua cabeça num travesseiro de folhas e a Terra o abraçou,
Era todo Harmonia e Felicidade. E então fechou os olhos para sentir seu coração.
Sentiu o pulsar da irmã Terra.
Viu o céu de outro ângulo, o mesmo ângulo que o jardim a sua volta observava todos os dias.
A emoção tomou conta de seu espírito e o Universo foi recriado de dentro para fora.
A Luz já era maior que o vaso de barro,
E ele se Reconhecia, como o menor entre os homens,
E como os Oceanos, pôs-se abaixo de todos os rios e mereceu ter mais água que todos eles.
Até mesmo as pedras agora eram iluminadas,
Os grãos de areia eram merecimento, o respirar era vida.
Então mais nada cabia, porque o Amor tomava conta.
Tudo sempre estava lá e ele não o vira,
E esse menino desde então, Viveu com V maiúsculo,
A Coragem dos Humildes e a Liberdade dos Filhos,
Num ato de eterno agradecimento, tentando caber em palavras, assim ele disse:
Senhor, fazei-me instrumento de vossa Paz.
Onde houver ódio, que eu leve o Amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o Perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a União;
Onde houver dúvida, que eu leve a Fé;
Onde houver erro, que eu leve a Verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a Esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a Alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a Luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive para a Vida Eterna.
Seu nome? Ele se chamava Francisco e morava em Assis, mas os anjos o chamam de Bondade.